Impactadas pela intolerância a Lactose

Por: Betina Nunes Sampaio

Troca de hábitos, de cardápio e humor. Uma das maiores complicações que tem impactado a rotina dos brasileiros, é a intolerância a lactose – nome que se dá à incapacidade parcial ou completa de digerir o açúcar existente no leite e seus derivados. Diversas pesquisas no país apontam que, cerca de 70% dos adultos, sofrem com essa síndrome gastrointestinal, que possui diversos graus de complicação.

O gastroenterologista Ricardo Iserhard, explica que a doença ocorre quando o organismo não produz, ou produz em quantidade insuficiente, uma enzima digestiva chamada lactase, responsável por quebrar e decompor a lactose, ou seja, o açúcar do leite. “Ao chegar ao intestino grosso inalterada, essa substância se acumula e é fermentada por bactérias que fabricam ácido láctico, provocando os sintomas da intolerância, como cólicas, gases e inchaço abdominal”, explica Ricardo.

Ao entrevistar algumas mulheres que foram diagnosticadas com o problema gastrointestinal em épocas da vida diferentes, percebemos diversas singularidades em cada um dos casos. Segundo a Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), existem, basicamente, três graus de intolerância a lactose – do mais leve ao severo – que podem ser diagnosticados através de exame de sangue.

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Crédito: Betina Nunes Sampaio

Aline Faller, hoje com 33 anos, descobriu a intolerância há oito anos. “Logo que descobri a doença, entrei em uma fase de negação, pois uma das coisas que mais me dava prazer era consumir derivados de leite. Então, ignorei os sintomas por quase seis anos”. Como Aline tinha um grau de intolerância leve, tinha sintomas esporádicos, porém, há dois anos, teve uma crise muito forte, e hoje, consome a enzima lactase – um suplemento alimentar que auxilia na digestão da lactose – antes de ingerir alimentos derivados de leite.

Por outro lado, Giovana Pedroso, de 40 anos, convive com um alto grau da doença.

“Mesmo com o uso da enzima lactase, os derivados de leite me intoxicam. Depois de um consumo excessivo, percebo que o inchaço abdominal não passa, nem o mal-estar”.

A gravidade dos sinais, que podem aparecer logo após a ingestão de leite ou depois de horas, depende da quantidade de alimento e de quanta lactose cada pessoa é capaz de suportar.

Ainda segundo a FBG , existem três tipos de intolerância: Deficiência congênita – ocorre por um problema genético, a criança nasce sem condições de produzir lactase (forma rara, mas crônica); Deficiência primária – diminuição natural e progressiva na produção de lactase a partir da adolescência e até o fim da vida (forma mais comum); e Deficiência secundária – a produção de lactase é afetada por doenças  intestinais, como diarreias, síndrome do intestino irritável, doença de Crohn, doença celíaca, ou alergia à proteína do leite, por exemplo. Nesses casos, a intolerância pode ser temporária e desaparecer com o controle da doença de base.

Outras doenças ou disfunções podem causar quadro similar ao da intolerância à lactose, como alergia a proteína do leite, síndrome do intestino irritável, doença celíaca ou alergias alimentares. Por isso, quando algum dos sintomas for percebido, um dos seguintes testes deve ser feito: o mais comum – que pode ser feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), é um exame em que o paciente recebe uma dose de lactose em jejum e, depois de algumas horas, são colhidas amostras de sangue que indicam os níveis de glicose. Se não houver alteração, a pessoa é intolerante à lactose. Há também um exame respiratório que custa cerca de R$ 120 e monitora a quantidade de hidrogênio nos gases exalados após a ingestão da lactose.

Nos primeiros momentos após o diagnóstico, o paciente se assusta ao saber que a intolerância não tem cura. Porém, os sintomas podem ser amenizados e até exterminados. Dependendo do caso, com uma alimentação balanceada e regrada, a pessoa pode até inserir alguns produtos lácteos na dieta, além das enzimas que podem ser ingeridas antes dos alimentos derivados de leite. Então, soluções existem e o caminho para viver com tranquilidade é, sem dúvida, a disciplina e a força de vontade. Muitas vezes, mudanças de hábitos são necessárias, porém, quem decide a forma como seu mundo será impactado, é você!

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