Fazer o bem faz bem

Por: Júlia Carolina Beling e Thiene Hermes

Todos querem um mundo melhor, mas o que cada um faz para mudar isso? É natural desejarmos mais justiça, solidariedade e respeito, e menos egoísmo. Contudo, a inércia individual não resolve nada. Como já dizia o líder espiritual indiano Mahatma Gandhi: “seja a mudança que você quer ver no mundo”. De que forma você está impactando seu mundo? Tem ajudado o próximo? Você carrega um espírito solidário? Você lembra a última vez que fez o bem a alguém?

A verdade é que a sociedade está carente de bons exemplos, isso porque muitos não sabem por onde começar ou porque colocam barreiras à frente, como a falta de tempo, por exemplo.  Desse modo, dedicar-se a trabalhos sociais é benéfico tanto para quem o recebe quanto para quem o faz. É válido lembrar que pequenas ações também fazem a diferença e, às vezes, não é necessário investir muito tempo nem dinheiro, basta a boa vontade.

Um bom exemplo em Santa Cruz do Sul

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Crédito: Arquivo Pessoal

Se até aqui falamos da falta de solidariedade com o próximo, mas reafirmamos a importância dela, a partir de agora você vai conhecer um bom exemplo, de alguém que prioriza boas ações e não fica indiferente a esse mundo, no qual impera a individualidade. Deixe-nos apresentar o Mensageiro das Trevas – calma, de treva ele não tem nada. Este personagem pratica o bem pelas ruas de Santa Cruz do Sul caracterizado de morte.

Mas, por que a morte? Essa caracterização não foi pensada para remeter a algo ruim, mas é justamente para que as pessoas lembrem que a vida é o bem mais precioso que temos. “Às vezes, precisamos ver a morte de perto para aprendermos a dar valor à vida”, disse. O nome “Mensageiro das Trevas” foi escolhido com o intuito de mostrar que não devemos julgar as pessoas pelas aparências, pois, muitas vezes, elas enganam. “Treva não tem nada a ver com o mal, a maldade está nos olhos de quem vê”, falou.

Desde dezembro de 2016, o Mensageiro realiza um trabalho social no município, de conscientização, entregando panfletos, no comércio e, principalmente, nas ruas do centro, com mensagens que fazem refletir e que orientam a fazer o bem e a pensar no outro, ou seja, fazer a diferença. As entregas acontecem nas tardes de terças às sextas-feiras e, eventualmente, nos sábados de manhã, quando tem material disponível.

A impressão dos panfletos é custeada por patrocinadores que vão desde amigos, comerciantes, empresários, até profissionais liberais, os quais acreditam e apoiam a causa. “São parceiros que fazem sua parte, possibilitando assim que a mensagem chegue às pessoas”, afirmou o Mensageiro. Ele explicou que, geralmente, cada edição em que são impressos mil exemplares é custeada por dois apoiadores (que dividem o valor) e que ganham visibilidade à medida que sua marca/nome é divulgada junto ao panfleto.

Como resultado, em cerca de seis meses foram entregues 23 mil panfletos e, consequentemente, 23 tipos de mensagens, já que a cada mil – panfletos – confeccionados e distribuídos, escreve uma nova mensagem. Para o Mensageiro, o resultado tem sido positivo: “Acredite, nesse tempo em que já circulei pela cidade fazendo a entrega das mensagens, menos de dez pessoas recusaram o panfletinho”, ressaltou. A causa desse resultado talvez seja pelo fato de se tratar de uma campanha de conscientização e aceitação é, assim, instantânea: “Não é publicidade, é uma mensagem que tem um sentido e que aborda sempre uma questão que se faz presente na vida de todos nós”, esclareceu.

Para o idealizador da campanha, essa ação é importante pelo fato de que mostra que cada um pode fazer algo pelo próximo e que isso não precisa ser com dinheiro ou com bens materiais. Segundo ele, esquecemos de dar mais atenção aos pequenos detalhes da vida: “Atualmente as pessoas vivem uma correria diária e acabam esquecendo as coisas simples, as pequenas coisas de grande significado”, afirmou.

O retorno que o Mensageiro recebe das pessoas é o reconhecimento pelo trabalho, quando as pessoas leem a mensagem e realmente pensam sobre o que leram, comentando e compartilhando com outras: “Isso é gratificante, porque é da alma que sai cada palavra que coloco nos textos, é de coração, é verdadeiro”, expressou. Além disso, para ele, a atitude das pessoas lhe chama a atenção, no momento da entrega dos panfletos: “Vejo o sorriso de uma pessoa idosa, que, às vezes, anda mergulhada na solidão, as crianças vêm me dar um abraço ou gritam ‘oi morte, tudo bem?’”, disse.

O Mensageiro acredita que em meio a um mundo com tantas coisas ruins acontecendo é importante conseguir passar mensagens positivas para as pessoas, mostrando uma luz e esperança para superar as lutas diárias e contratempos que surgem no decorrer da vida. Essas mensagens procuram dizer que é infinita a força do ser humano, que é preciso acreditar, ignorar o pessimismo e ter em mente que tudo está a nosso favor. “Precisamos acreditar mais no bem e é justamente o bem que procuro destacar nas mensagens”, finalizou.

Muito satisfeito em prestar esse trabalho para a população santa-cruzense, o Mensageiro é grato pelo respeito e carinho que recebe nas ruas e afirma que pretende continuar com essa campanha de conscientização, sempre direcionada a valorização da vida.

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